A discussão que precisa ser realizada

A mobilidade urbana da capital paulista vem, há tempos, implorando pelo debate sobre o uso excessivo e desregulamentado do viário urbano pela enxurrada de carros de aplicativos. Não sou eu quem estou dizendo. Mas sim os dados e os levantamentos que atestam isso. Por isso, propus a discussão do PL 419/2018, que trata da redução do número de veículos rodando nas ruas e concede mais segurança para o usuário de aplicativos.

Este debate também não é exclusividade da cidade de São Paulo. Grandes metrópoles ao redor do mundo já discutem as consequências do uso desregulamentado do transporte por aplicativos. E o fato, que começa a ficar mais claro para todos os especialistas em mobilidade urbana, é que não há livre mercado que resista ao saturamento de profissionais e de um modelo que, a cada dia, demonstra sinais claros de esgotamento.

Em números extraoficiais, estima-se que as empresas de aplicativos de carros particulares já somem mais de 250 mil veículos rodando pelas ruas da cidade. Um número que por si só já seria impactante, em uma malha viária já saturada pelo acúmulo de veículos e por uma opção equivocada que privilegia o transporte individual de carros particulares no lugar do transporte público de massa.

Ou invertendo a questão. Será mesmo que o paulistano julga justo cerca de 80 mil carros de locadoras de outros estados rodarem livremente pelas ruas da cidade, sem contribuírem em nada com o uso desse mesmo viário, ao passo que os quase 8 milhões de veículos licenciados aqui, pagam IPVA, DPVTA e ainda estão sujeitos ao rodízio semanal? E ainda, será mesmo que apenas um setor, que não considera seus próprios motoristas como trabalhadores, não concede direitos trabalhistas e ainda retém 25% do faturamento bruto de sua mão de obra a título de tecnologia, pode ser sequer cogitado como parte da solução para crise econômica brasileira?

Câmara e Executivo paulistanos precisam encarar o problema de frente com a máxima urgência possível e tomar as medidas cabíveis para frear o caos que se avizinha. E de como isto afeta vários setores econômicos e áreas essenciais. Por isso, é inadiável um estudo profundo sobre mobilidade urbana que envolva todas estas perspectivas sobre o caminho sem volta que a cidade vem trilhando. E o debate em plenário sobre o PL 419/2018. Argumentos não me faltam para defendê-lo. E a cada dia que passa, as manchetes sobre o tema me dão mais razão.

Resta sabermos qual caminho escolher – o caos ainda maior no trânsito, que afeta direta e diariamente o cotidiano das pessoas, ou a seriedade para solucionar de uma vez por todas um problema que fica a cada dia mais grave. E a cidade, que deveria servir de modelo inspirador para o resto da América Latina, precisa avançar em um debate que pede a mais alta urgência no que tange a mobilidade urbana de milhões de paulistanos.

#PL419 #RegrasparaTodos #Trânsito #MobilidadeUrbana

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assessoria

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